Categoria: CRÕNICAS HISTÓRICAS

março 7, 2026 / CRÕNICAS HISTÓRICAS

A história desmonta um mito confortável: inteligência e erudição não são garantias de consciência moral. No século XX, filósofos, juristas, médicos e cientistas – muitos deles doutores e figuras respeitadas – aderiram ao nazifascismo ou ajudaram a legitimá-lo. De Heidegger a Goebbels, de juristas brilhantes a médicos envolvidos na máquina de morte, o regime encontrou apoio justamente onde se esperava resistência: nas universidades e nos círculos intelectuais. Este artigo revisita essas contradições inquietantes da história e lembra uma lição incômoda: a barbárie nem sempre nasce da ignorância – às vezes nasce do prestígio.

fevereiro 13, 2026 / CRÕNICAS HISTÓRICAS

O “cara de pau” sempre existiu na história brasileira. O que mudou foi seu status: de exceção a método. Nesta crônica histórica e carnavalesca, máscaras antigas e marchinha popular ajudam a explicar como a desfaçatez se normalizou no exercício do poder. Banqueiros etéreos, magistrados de espelho fosco e herdeiros do Estado desfilam como arquétipos de um tempo estranho. Quando a vergonha se aposenta, a máscara vira rosto. E o Carnaval, em vez de acabar, muda de endereço. Uma alegoria do Brasil que insiste em não tirar a fantasia.

dezembro 23, 2025 / CRÕNICAS HISTÓRICAS

Em 1872, um jovem cruza as luzes do Alcazar, casa de espetáculos do Rio imperial, onde música, dança e erotismo elegante conviviam sob a tolerância calculada da Corte. Acredita viver apenas mais uma noite. Não vive. Começa ali uma vida dupla. Amores impróprios, filhos ocultos e um pai austero que observa sem cruzar a soleira. Enviado para fora do Brasil, troca a boemia pelos arquivos, estuda com afinco e aprende a arte paciente da negociação. Anos depois, esse mesmo homem definiria, por tratados e mapas, as fronteiras do país. Tornou-se um estadista. E quando morreu, em 1912, o Brasil parou – literalmente. Até o Carnaval foi suspenso, num gesto raro, talvez único, de reconhecimento nacional.

dezembro 12, 2025 / CRÕNICAS HISTÓRICAS

Prometeram sanções globais e intervenção estrangeira. Juraram que o Imperador Laranja viria salvar o dia. Brandiram a Lei Magnitsky como espada sagrada e ameaçaram todo mundo. Chegaram a enxergar porta-aviões no Lago Paranoá. Mas o navio virou miragem. A boia foi recolhida. E o Exército de Brancaleone tropical ficou no barranco. Sem resgate. Sem plano. Só o eco das próprias bravatas e do delírio.