Neste 1º de Maio, uma provocação incômoda: e se o excesso de trabalho não for sinal de progresso, mas de atraso civilizatório? Entre o ritmo ancestral de povos do Xingu e a exaustão cotidiana das metrópoles, este artigo questiona o culto moderno à produtividade. Inspirado em Paul Lafargue, Domenico de Masi e Mario Quintana, o texto resgata o “direito à preguiça” como crítica ao trabalho alienado e defesa de uma vida mais equilibrada. Em tempos de jornadas extremas como a “996”, surge a pergunta essencial: estamos evoluindo, ou apenas nos tornando mais cansados?
Categoria: CRÕNICAS HISTÓRICAS
Há 81 anos, no subsolo de uma Berlim em ruínas, Adolf Hitler e Eva Braun oficializavam uma união que duraria menos de 40 horas. Enquanto o Holocausto deixava milhões de mortos e o Exército Vermelho cercava a capital alemã, o líder nazista parecia preocupado com outro “pecado”: viver sem casamento. Nesta crônica histórica, o contraste entre intimidade e colapso revela uma das mais perturbadoras inversões morais do século XX – um gesto final que diz muito sobre o fim de um regime e de um homem.
No dia 1º de abril de 1964, enquanto o golpe militar avançava no Brasil, uma força-tarefa naval dos Estados Unidos deixava Hampton Roads rumo ao Atlântico Sul. A operação, conhecida como Brother Sam, previa apoio logístico e militar aos golpistas, caso houvesse resistência. Documentos desclassificados mostram que navios, combustível, armas e apoio aéreo estavam prontos para entrar em ação. A operação só foi cancelada quando a vitória contra João Goulart já era considerada certa. Este texto reconstrói, com base em arquivos históricos, o momento em que Washington se preparou para sustentar o golpe no Brasil.
A história desmonta um mito confortável: inteligência e erudição não são garantias de consciência moral. No século XX, filósofos, juristas, médicos e cientistas – muitos deles doutores e figuras respeitadas – aderiram ao nazifascismo ou ajudaram a legitimá-lo. De Heidegger a Goebbels, de juristas brilhantes a médicos envolvidos na máquina de morte, o regime encontrou apoio justamente onde se esperava resistência: nas universidades e nos círculos intelectuais. Este artigo revisita essas contradições inquietantes da história e lembra uma lição incômoda: a barbárie nem sempre nasce da ignorância – às vezes nasce do prestígio.
O “cara de pau” sempre existiu na história brasileira. O que mudou foi seu status: de exceção a método. Nesta crônica histórica e carnavalesca, máscaras antigas e marchinha popular ajudam a explicar como a desfaçatez se normalizou no exercício do poder. Banqueiros etéreos, magistrados de espelho fosco e herdeiros do Estado desfilam como arquétipos de um tempo estranho. Quando a vergonha se aposenta, a máscara vira rosto. E o Carnaval, em vez de acabar, muda de endereço. Uma alegoria do Brasil que insiste em não tirar a fantasia.
Prometeram sanções globais e intervenção estrangeira. Juraram que o Imperador Laranja viria salvar o dia. Brandiram a Lei Magnitsky como espada sagrada e ameaçaram todo mundo. Chegaram a enxergar porta-aviões no Lago Paranoá. Mas o navio virou miragem. A boia foi recolhida. E o Exército de Brancaleone tropical ficou no barranco. Sem resgate. Sem plano. Só o eco das próprias bravatas e do delírio.
