Edgar Morin atravessou dois séculos e antecipou muitos dos dilemas do nosso tempo. Judeu sefardita, resistente ao nazismo, sociólogo e filósofo, refletiu sobre polarização, intolerância, fake news, crise da democracia e o colapso da capacidade humana de compreender. Neste artigo, Relatos – A Estação da História mergulha no pensamento de um dos grandes intérpretes da condição humana para entender por que, em um mundo hiperconectado, parecemos cada vez mais incapazes de dialogar, pensar com complexidade e conviver com diferenças.
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1968 começou sob o signo da paz – e rapidamente mergulhou em turbulência. Enquanto o Papa Paulo VI apelava por tréguas no Vietnã, a Ofensiva do Tet abalava a confiança dos Estados Unidos na guerra. Em Paris, estudantes erguiam barricadas, enfrentavam a polícia e desencadeavam uma das maiores ondas de contestação do século XX. Em meio a assassinatos políticos, protestos, greves e revoltas globais, uma geração colocou em xeque governos, instituições e valores tradicionais.
A ascensão da China, o fortalecimento dos BRICS e a crise da hegemonia americana estão redesenhando a ordem mundial. Nesse cenário, o Brasil pode se afirmar como potência média relevante – ou desperdiçar sua oportunidade histórica mergulhado em radicalizações internas. Este ensaio analisa como a polarização política ameaça reduzir a capacidade estratégica do país justamente quando o multilateralismo e a diplomacia pragmática se tornam mais importantes do que nunca.
Cassado, monitorado pelo SNI e pelo CIEx e cercado por suspeitas que atravessam décadas, Juscelino Kubitschek continuou sendo tratado pela ditadura militar como uma ameaça estratégica ao regime. Este artigo analisa por que o ex-presidente simbolizava algo profundamente perigoso para a linha-dura: a memória de um Brasil democrático, otimista e legitimado pelo voto popular. Entre documentos de vigilância, Operação Condor, Frente Ampla e novas suspeitas sobre sua morte, emerge uma questão inquietante: JK era o maior alvo da ditadura exatamente porque representava sua maior ameaça política.
No dia em que o mundo celebra a derrota do nazismo e a vitória da civilização sobre a barbárie, Djalba Lima completa 69 anos e transforma a data em uma reflexão íntima sobre memória, democracia, humanismo e resistência moral. Uma crônica pessoal sobre envelhecer sem abrir mão dos valores essenciais, em tempos em que a intolerância e o autoritarismo voltam a rondar o mundo.
Neste 1º de Maio, uma provocação incômoda: e se o excesso de trabalho não for sinal de progresso, mas de atraso civilizatório? Entre o ritmo ancestral de povos do Xingu e a exaustão cotidiana das metrópoles, este artigo questiona o culto moderno à produtividade. Inspirado em Paul Lafargue, Domenico de Masi e Mario Quintana, o texto resgata o “direito à preguiça” como crítica ao trabalho alienado e defesa de uma vida mais equilibrada. Em tempos de jornadas extremas como a “996”, surge a pergunta essencial: estamos evoluindo, ou apenas nos tornando mais cansados?
Há 81 anos, no subsolo de uma Berlim em ruínas, Adolf Hitler e Eva Braun oficializavam uma união que duraria menos de 40 horas. Enquanto o Holocausto deixava milhões de mortos e o Exército Vermelho cercava a capital alemã, o líder nazista parecia preocupado com outro “pecado”: viver sem casamento. Nesta crônica histórica, o contraste entre intimidade e colapso revela uma das mais perturbadoras inversões morais do século XX – um gesto final que diz muito sobre o fim de um regime e de um homem.
No dia 1º de abril de 1964, enquanto o golpe militar avançava no Brasil, uma força-tarefa naval dos Estados Unidos deixava Hampton Roads rumo ao Atlântico Sul. A operação, conhecida como Brother Sam, previa apoio logístico e militar aos golpistas, caso houvesse resistência. Documentos desclassificados mostram que navios, combustível, armas e apoio aéreo estavam prontos para entrar em ação. A operação só foi cancelada quando a vitória contra João Goulart já era considerada certa. Este texto reconstrói, com base em arquivos históricos, o momento em que Washington se preparou para sustentar o golpe no Brasil.
As gravações de Henry Kissinger revelam os bastidores da política externa dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Ao cruzar conversas telefônicas, memorandos e documentos desclassificados, emerge um padrão inquietante: decisões estratégicas tomadas com base em interesses geopolíticos, mesmo quando isso implicava apoiar golpes, tolerar regimes autoritários ou ignorar consequências humanitárias. O texto mostra como Chile, Brasil, Camboja e Bangladesh se inserem nessa lógica – e como a gestão da informação e da imprensa fez parte do processo. Mais do que recontar a história, as fitas expõem como o poder pensa.
Há 36 anos, o Brasil viveu um dos momentos mais traumáticos de sua história econômica. No dia seguinte à posse, o presidente Fernando Collor anunciou o confisco de contas correntes e poupanças para conter a hiperinflação. O choque paralisou a economia, destruiu empresas e deixou uma cicatriz profunda na memória nacional. Mais do que um fracasso econômico, o episódio revela um alerta histórico: quando crises profundas encontram líderes que prometem soluções espetaculares, o risco de aventuras perigosas cresce dramaticamente.
