O que há em comum entre o Lebensraum de Hitler e o vital space de Trump? Em ambos, o espaço deixa de ser soberania e passa a ser necessidade estratégica. No século XX, a Alemanha nazista chamou expansão de sobrevivência. No século XXI, a força reaparece sob a linguagem da segurança e dos recursos. Groenlândia, Venezuela, zonas de influência: territórios viram ativos. A exceção vira método, o direito recua, a força avança. Como Mussolini, Trump transforma política externa em espetáculo de poder. E a História volta a perguntar: estamos reconhecendo o caminho a tempo?
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O porrete e a “missão” atravessam o tempo. Em 1990, Noriega cai sob o Big Stick. Em 2026, Maduro entra na mira, sem verniz diplomático. O Destino Manifesto não recua: opera. A soberania torna-se condicional. A exceção se normaliza. O porrete deixa de ser metáfora. E a força bruta governa em nome da missão.
O segundo mandato de Donald Trump marca a volta da política do Big Stick, o “Grande Porrete” que simboliza a imposição dos interesses dos EUA sobre a América Latina. Declarações recentes de Washington confirmam que a região voltou a ser tratada como “quintal”. Mas o problema não é apenas militar: é ambiental, social, político e científico. O retrocesso se expressa no abandono de pactos climáticos, no corte de investimentos em ciência, em ataques a direitos sociais e na diplomacia de imposição. Diferente do passado, a reação de parte expressiva da população brasileira tem sido passiva, contrastando com o vigor cívico de outras épocas – e até mesmo com a resistência do Canadá, que rejeitou as pautas trumpistas nas urnas. O resultado é uma era de retrocessos que ameaça conquistas de décadas.
