A ascensão da China, o fortalecimento dos BRICS e a crise da hegemonia americana estão redesenhando a ordem mundial. Nesse cenário, o Brasil pode se afirmar como potência média relevante – ou desperdiçar sua oportunidade histórica mergulhado em radicalizações internas. Este ensaio analisa como a polarização política ameaça reduzir a capacidade estratégica do país justamente quando o multilateralismo e a diplomacia pragmática se tornam mais importantes do que nunca.
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As gravações de Henry Kissinger revelam os bastidores da política externa dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Ao cruzar conversas telefônicas, memorandos e documentos desclassificados, emerge um padrão inquietante: decisões estratégicas tomadas com base em interesses geopolíticos, mesmo quando isso implicava apoiar golpes, tolerar regimes autoritários ou ignorar consequências humanitárias. O texto mostra como Chile, Brasil, Camboja e Bangladesh se inserem nessa lógica – e como a gestão da informação e da imprensa fez parte do processo. Mais do que recontar a história, as fitas expõem como o poder pensa.
O velho mundo agoniza – e não é metáfora. A ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial se desfaz diante de nossos olhos. Instituições enfraquecem, regras perdem força e o multilateralismo vira retórica vazia. Em Davos 2026, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, reconheceu esse colapso sem nostalgia. Um século antes, Antonio Gramsci já havia alertado: quando o velho mundo morre e o novo tarda a nascer, surgem os monstros. Este artigo liga esses dois momentos históricos. E pergunta: quem ocupa o vazio quando as regras deixam de valer?
