Tag: História do Brasil

dezembro 23, 2025 / CRÕNICAS HISTÓRICAS

Em 1872, um jovem cruza as luzes do Alcazar, casa de espetáculos do Rio imperial, onde música, dança e erotismo elegante conviviam sob a tolerância calculada da Corte. Acredita viver apenas mais uma noite. Não vive. Começa ali uma vida dupla. Amores impróprios, filhos ocultos e um pai austero que observa sem cruzar a soleira. Enviado para fora do Brasil, troca a boemia pelos arquivos, estuda com afinco e aprende a arte paciente da negociação. Anos depois, esse mesmo homem definiria, por tratados e mapas, as fronteiras do país. Tornou-se um estadista. E quando morreu, em 1912, o Brasil parou – literalmente. Até o Carnaval foi suspenso, num gesto raro, talvez único, de reconhecimento nacional.

dezembro 14, 2025 / DITADURA

Em 13 de dezembro de 1968, o Brasil mergulhou oficialmente na ditadura. O Ato Institucional nº 5 concentrou poderes absolutos no Executivo, fechou o Congresso, suspendeu direitos políticos e eliminou garantias fundamentais. Ao impedir o controle judicial e suspender o habeas corpus, o AI-5 institucionalizou a repressão, a censura e a violência de Estado. Nesta matéria especial, Relatos revisita os 57 anos do AI-5 e explica, de forma didática, o que define uma ditadura – e por que lembrar esse período é essencial para a defesa da democracia.

dezembro 6, 2025 / DITADURA

João Goulart morreu há 49 anos, mas os mitos que cercam sua figura continuam moldando a memória do golpe de 1964. Acusado injustamente de comunista, tachado de fraco e responsabilizado por um suposto caos econômico, Jango foi, na verdade, um líder moderado, legalista e profundamente comprometido com reformas sociais que poderiam ter mudado o Brasil. Neste perfil histórico, desmontamos dez mitos que marcaram sua trajetória – das relações com o getulismo ao enigma de sua morte no exílio. Uma revisitação necessária a um presidente que o país ainda não compreendeu por completo.

novembro 4, 2025 / TRETAS HISTÓRICAS

Em 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas foi deposto sem tiros, sem barricadas e sem insurreição popular — e esse silêncio marca o início de um padrão brasileiro: as grandes rupturas políticas quase nunca nascem das ruas, mas dos pactos de elites que decidem o fim de um ciclo do poder antes que o país perceba. A queda do Estado Novo acontece no mesmo ano em que o boogie woogie chega ao Brasil pelo rádio. O Brasil mudava de regime… ao mesmo tempo em que mudava de ritmo. Getúlio cairia, voltaria eleito em 1951, e deixaria a vida em 1954 – adiando, segundo muitos historiadores, o golpe militar por dez anos.
Neste episódio, Relatos – A Estação da História revisita a cena do Catete, o diálogo final entre Vargas e Cordeiro de Farias, o Queremismo, a Novembrada de Lott e o nascimento de um modelo de ruptura que atravessaria 1954, 1955 e chegaria a 1964. Porque a História brasileira não costuma mudar quando o povo grita – ela muda quando poucos, nos bastidores, decidem. Ouça, reflita e compare.