Cassado, monitorado pelo SNI e pelo CIEx e cercado por suspeitas que atravessam décadas, Juscelino Kubitschek continuou sendo tratado pela ditadura militar como uma ameaça estratégica ao regime. Este artigo analisa por que o ex-presidente simbolizava algo profundamente perigoso para a linha-dura: a memória de um Brasil democrático, otimista e legitimado pelo voto popular. Entre documentos de vigilância, Operação Condor, Frente Ampla e novas suspeitas sobre sua morte, emerge uma questão inquietante: JK era o maior alvo da ditadura exatamente porque representava sua maior ameaça política.
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No dia 1º de abril de 1964, enquanto o golpe militar avançava no Brasil, uma força-tarefa naval dos Estados Unidos deixava Hampton Roads rumo ao Atlântico Sul. A operação, conhecida como Brother Sam, previa apoio logístico e militar aos golpistas, caso houvesse resistência. Documentos desclassificados mostram que navios, combustível, armas e apoio aéreo estavam prontos para entrar em ação. A operação só foi cancelada quando a vitória contra João Goulart já era considerada certa. Este texto reconstrói, com base em arquivos históricos, o momento em que Washington se preparou para sustentar o golpe no Brasil.
João Goulart morreu há 49 anos, mas os mitos que cercam sua figura continuam moldando a memória do golpe de 1964. Acusado injustamente de comunista, tachado de fraco e responsabilizado por um suposto caos econômico, Jango foi, na verdade, um líder moderado, legalista e profundamente comprometido com reformas sociais que poderiam ter mudado o Brasil. Neste perfil histórico, desmontamos dez mitos que marcaram sua trajetória – das relações com o getulismo ao enigma de sua morte no exílio. Uma revisitação necessária a um presidente que o país ainda não compreendeu por completo.
