Donald Trump se irritou com um show em espanhol. O episódio expôs algo maior: sua visão estreita sobre o que é a América. Este texto resgata a dimensão continental das Américas – sua diversidade cultural, política e histórica. Mostra como os Estados Unidos, ao longo do tempo, tentaram tratar o continente como “quintal”. E lembra o essencial: a América é grande demais para caber em qualquer pretensão imperial.
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Em 3 de fevereiro de 1962, John F. Kennedy oficializou o bloqueio econômico a Cuba. Sessenta e quatro anos depois, a política persiste – agora recrudescida por Donald Trump com restrições ao fornecimento de petróleo. Entre a invasão da Baía dos Porcos, a Crise dos Mísseis e a Guerra Fria, o cerco atravessou décadas sem cumprir sua promessa de mudança política.
A História ajuda a entender por que sanções prolongadas não produzem democracia — apenas escassez, endurecimento e conflito permanente.
O porrete e a “missão” atravessam o tempo. Em 1990, Noriega cai sob o Big Stick. Em 2026, Maduro entra na mira, sem verniz diplomático. O Destino Manifesto não recua: opera. A soberania torna-se condicional. A exceção se normaliza. O porrete deixa de ser metáfora. E a força bruta governa em nome da missão.
O segundo mandato de Donald Trump marca a volta da política do Big Stick, o “Grande Porrete” que simboliza a imposição dos interesses dos EUA sobre a América Latina. Declarações recentes de Washington confirmam que a região voltou a ser tratada como “quintal”. Mas o problema não é apenas militar: é ambiental, social, político e científico. O retrocesso se expressa no abandono de pactos climáticos, no corte de investimentos em ciência, em ataques a direitos sociais e na diplomacia de imposição. Diferente do passado, a reação de parte expressiva da população brasileira tem sido passiva, contrastando com o vigor cívico de outras épocas – e até mesmo com a resistência do Canadá, que rejeitou as pautas trumpistas nas urnas. O resultado é uma era de retrocessos que ameaça conquistas de décadas.
