Em 2 de fevereiro de 1933, a democracia alemã entrou em colapso. A crise econômica e a humilhação acumulada minaram a confiança pública. A República de Weimar já não oferecia horizonte. O nazismo avançou prometendo ordem e redenção. Não por ruptura súbita, mas pela erosão contínua das instituições.
Autor: djalba.lima@gmail.com
O velho mundo agoniza – e não é metáfora. A ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial se desfaz diante de nossos olhos. Instituições enfraquecem, regras perdem força e o multilateralismo vira retórica vazia. Em Davos 2026, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, reconheceu esse colapso sem nostalgia. Um século antes, Antonio Gramsci já havia alertado: quando o velho mundo morre e o novo tarda a nascer, surgem os monstros. Este artigo liga esses dois momentos históricos. E pergunta: quem ocupa o vazio quando as regras deixam de valer?
O que há em comum entre o Lebensraum de Hitler e o vital space de Trump? Em ambos, o espaço deixa de ser soberania e passa a ser necessidade estratégica. No século XX, a Alemanha nazista chamou expansão de sobrevivência. No século XXI, a força reaparece sob a linguagem da segurança e dos recursos. Groenlândia, Venezuela, zonas de influência: territórios viram ativos. A exceção vira método, o direito recua, a força avança. Como Mussolini, Trump transforma política externa em espetáculo de poder. E a História volta a perguntar: estamos reconhecendo o caminho a tempo?
Intervenções militares raramente cumprem o que prometem. Do Afeganistão à Líbia, do Iraque ao Chile, o saldo histórico é recorrente: Estados desmontados, sociedades fraturadas e democracias adiadas. A retórica muda – segurança, liberdade, valores –, o resultado não. Ao romper o pudor diplomático e falar abertamente em petróleo, Trump apenas expôs o que sempre esteve por trás da força. Diante desse histórico, a pergunta: o que a Venezuela pode esperar no pós-intervenção?
O porrete e a “missão” atravessam o tempo. Em 1990, Noriega cai sob o Big Stick. Em 2026, Maduro entra na mira, sem verniz diplomático. O Destino Manifesto não recua: opera. A soberania torna-se condicional. A exceção se normaliza. O porrete deixa de ser metáfora. E a força bruta governa em nome da missão.
Há 64 anos, em 15 de dezembro de 1961, chegava ao fim, em Jerusalém, um dos julgamentos mais importantes do século XX: o de Adolf Eichmann, um dos principais organizadores do Holocausto. Após oito meses e mais de cem sessões, o tribunal israelense o considerou culpado por crimes contra o povo judeu, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. O processo não julgou apenas um homem, mas expôs ao mundo a engrenagem burocrática do genocídio nazista. Transmitido por rádios, jornais e televisões, o julgamento deu voz às vítimas e sobreviventes. Também inspirou Hannah Arendt a formular o conceito da “banalidade do mal”. Mais do que justiça, o caso Eichmann tornou-se um marco da memória histórica. Um alerta permanente sobre obediência, burocracia e responsabilidade individual.
Em 13 de dezembro de 1968, o Brasil mergulhou oficialmente na ditadura. O Ato Institucional nº 5 concentrou poderes absolutos no Executivo, fechou o Congresso, suspendeu direitos políticos e eliminou garantias fundamentais. Ao impedir o controle judicial e suspender o habeas corpus, o AI-5 institucionalizou a repressão, a censura e a violência de Estado. Nesta matéria especial, Relatos revisita os 57 anos do AI-5 e explica, de forma didática, o que define uma ditadura – e por que lembrar esse período é essencial para a defesa da democracia.
Prometeram sanções globais e intervenção estrangeira. Juraram que o Imperador Laranja viria salvar o dia. Brandiram a Lei Magnitsky como espada sagrada e ameaçaram todo mundo. Chegaram a enxergar porta-aviões no Lago Paranoá. Mas o navio virou miragem. A boia foi recolhida. E o Exército de Brancaleone tropical ficou no barranco. Sem resgate. Sem plano. Só o eco das próprias bravatas e do delírio.
