Intervenções militares raramente cumprem o que prometem. Do Afeganistão à Líbia, do Iraque ao Chile, o saldo histórico é recorrente: Estados desmontados, sociedades fraturadas e democracias adiadas. A retórica muda – segurança, liberdade, valores –, o resultado não. Ao romper o pudor diplomático e falar abertamente em petróleo, Trump apenas expôs o que sempre esteve por trás da força. Diante desse histórico, a pergunta: o que a Venezuela pode esperar no pós-intervenção?
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O porrete e a “missão” atravessam o tempo. Em 1990, Noriega cai sob o Big Stick. Em 2026, Maduro entra na mira, sem verniz diplomático. O Destino Manifesto não recua: opera. A soberania torna-se condicional. A exceção se normaliza. O porrete deixa de ser metáfora. E a força bruta governa em nome da missão.
Há 64 anos, em 15 de dezembro de 1961, chegava ao fim, em Jerusalém, um dos julgamentos mais importantes do século XX: o de Adolf Eichmann, um dos principais organizadores do Holocausto. Após oito meses e mais de cem sessões, o tribunal israelense o considerou culpado por crimes contra o povo judeu, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. O processo não julgou apenas um homem, mas expôs ao mundo a engrenagem burocrática do genocídio nazista. Transmitido por rádios, jornais e televisões, o julgamento deu voz às vítimas e sobreviventes. Também inspirou Hannah Arendt a formular o conceito da “banalidade do mal”. Mais do que justiça, o caso Eichmann tornou-se um marco da memória histórica. Um alerta permanente sobre obediência, burocracia e responsabilidade individual.
Em 13 de dezembro de 1968, o Brasil mergulhou oficialmente na ditadura. O Ato Institucional nº 5 concentrou poderes absolutos no Executivo, fechou o Congresso, suspendeu direitos políticos e eliminou garantias fundamentais. Ao impedir o controle judicial e suspender o habeas corpus, o AI-5 institucionalizou a repressão, a censura e a violência de Estado. Nesta matéria especial, Relatos revisita os 57 anos do AI-5 e explica, de forma didática, o que define uma ditadura – e por que lembrar esse período é essencial para a defesa da democracia.
Prometeram sanções globais e intervenção estrangeira. Juraram que o Imperador Laranja viria salvar o dia. Brandiram a Lei Magnitsky como espada sagrada e ameaçaram todo mundo. Chegaram a enxergar porta-aviões no Lago Paranoá. Mas o navio virou miragem. A boia foi recolhida. E o Exército de Brancaleone tropical ficou no barranco. Sem resgate. Sem plano. Só o eco das próprias bravatas e do delírio.
A política brasileira – e parte da política mundial – vive um sequestro silencioso. Extremistas, milícias e bilionários ocuparam o espaço deixado por partidos fracos. Nos EUA, o colapso dos filtros permitiu a ascensão de Trump. No Brasil, abriu caminho para Bolsonaro e para o crime organizado no Rio de Janeiro. Quando os guardiões abandonam o portão, a democracia entra em deriva. Eleições continuam existindo, mas perdem o sentido democrático. Este texto mostra como o sequestro ocorreu – e por que ainda pode piorar.
João Goulart morreu há 49 anos, mas os mitos que cercam sua figura continuam moldando a memória do golpe de 1964. Acusado injustamente de comunista, tachado de fraco e responsabilizado por um suposto caos econômico, Jango foi, na verdade, um líder moderado, legalista e profundamente comprometido com reformas sociais que poderiam ter mudado o Brasil. Neste perfil histórico, desmontamos dez mitos que marcaram sua trajetória – das relações com o getulismo ao enigma de sua morte no exílio. Uma revisitação necessária a um presidente que o país ainda não compreendeu por completo.
Cinquenta anos após sua morte, Hannah Arendt permanece como uma das vozes mais agudas para compreender o século XX – e o nosso tempo. Judia alemã, intelectual brilhante, viveu amores controversos, como o romance com Heidegger, e amizades profundas, como a de Walter Benjamin. Fugiu da Alemanha nazista, foi internada em Gurs, atravessou a Espanha franquista e escapou pela última rota possível rumo aos EUA. Sua condição de apátrida e o suicídio de Benjamin marcaram sua obra para sempre. Autora de As Origens do Totalitarismo e da ideia da “banalidade do mal”, Arendt desafiou ortodoxias e recusou rótulos. Meio século depois, sua lucidez ainda ilumina a pergunta central de nosso tempo: como permanecer humano diante das forças que querem nos desumanizar?
