Em abril de 1962, João Goulart foi recebido por John Kennedy na Casa Branca com sorrisos, discursos e promessas de cooperação. Nos bastidores, porém, Washington já observava o presidente brasileiro com crescente desconfiança. Documentos secretos revelam como reformas sociais, nacionalismo econômico e política externa independente passaram a ser tratados como ameaças. Nesta primeira parte do Diário do Golpe, a cordialidade das fotografias começa a ceder lugar às pressões, ao dinheiro clandestino e aos primeiros planos para interferir no destino do Brasil.
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Durante décadas, gravações, telegramas e memorandos permaneceram protegidos pelo sigilo. Agora, esses documentos revelam como Washington passou da aproximação com João Goulart à conspiração contra seu governo. A série Diário do Golpe reconstrói, passo a passo, a pressão econômica, a propaganda, os contatos militares e as operações clandestinas que prepararam o golpe de 1964. Uma história do passado que ajuda a reconhecer, no presente, os velhos métodos da interferência estrangeira.
No dia 1º de abril de 1964, enquanto o golpe militar avançava no Brasil, uma força-tarefa naval dos Estados Unidos deixava Hampton Roads rumo ao Atlântico Sul. A operação, conhecida como Brother Sam, previa apoio logístico e militar aos golpistas, caso houvesse resistência. Documentos desclassificados mostram que navios, combustível, armas e apoio aéreo estavam prontos para entrar em ação. A operação só foi cancelada quando a vitória contra João Goulart já era considerada certa. Este texto reconstrói, com base em arquivos históricos, o momento em que Washington se preparou para sustentar o golpe no Brasil.
João Goulart morreu há 49 anos, mas os mitos que cercam sua figura continuam moldando a memória do golpe de 1964. Acusado injustamente de comunista, tachado de fraco e responsabilizado por um suposto caos econômico, Jango foi, na verdade, um líder moderado, legalista e profundamente comprometido com reformas sociais que poderiam ter mudado o Brasil. Neste perfil histórico, desmontamos dez mitos que marcaram sua trajetória – das relações com o getulismo ao enigma de sua morte no exílio. Uma revisitação necessária a um presidente que o país ainda não compreendeu por completo.
Em 30 de julho de 2025, os Estados Unidos impuseram sanções inéditas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, com base na Lei Magnitsky. No episódio, analisamos a gravidade dessa ação: a distorção de um instrumento legal criado para punir torturadores, agora usado contra um juiz de uma democracia. Revisitamos o histórico de interferência norte-americana no Brasil – da sombra do golpe de 1964 à agressão institucional de 2025 – e revelamos o papel de Eduardo Bolsonaro na articulação dessa retaliação internacional. Este episódio denuncia o ataque à soberania brasileira e à independência do Judiciário, e alerta para os riscos de um novo ciclo autoritário. Uma reflexão urgente sobre democracia, poder e soberania.
