O Brasil não está dividido apenas por ideias. Está dividido por certezas morais. A partir de A Mente Moralista, de Jonathan Haidt, este artigo investiga por que somos tão rigorosos com os adversários e tão indulgentes com os nossos. Entre o cavaleiro e o elefante, a lupa e o espelho, surge uma pergunta incômoda: usamos a mesma régua moral para julgar quem está do nosso lado?
Categoria: DESMISTICANDO
Sessenta anos atrás, Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e João Goulart – antigos adversários separados por profundas diferenças políticas – uniram-se na Frente Ampla para enfrentar a ditadura militar. O movimento revelou a primeira grande fissura entre o regime e parte da elite civil que apoiara o golpe de 1964. Era também o reconhecimento tardio de uma ilusão histórica: acreditaram que poderiam usar o autoritarismo como solução provisória, mas descobriram que já não tinham as chaves para fechar as portas que haviam ajudado a abrir.
Durante décadas, o chamado “milagre econômico” foi apresentado como prova da eficiência administrativa da ditadura militar. Mas o crescimento brasileiro foi realmente excepcional ou fez parte de um ciclo de prosperidade que impulsionou diversas economias no pós-guerra? Este artigo analisa o legado econômico do regime, confrontando o mito da boa gestão militar com os números da inflação, da dívida externa, da desigualdade e da crise que marcou seus últimos anos. Mais do que revisitar um período da história, propõe um critério simples para avaliar qualquer governo: não pelos anos de bonança, mas pelo país que deixa às gerações seguintes.
