Enquanto o mundo celebrava o triunfo do mercado e o fim das grandes disputas ideológicas, o historiador britânico Tony Judt enxergava sinais de uma crise silenciosa: o avanço da desigualdade, a erosão da solidariedade e o enfraquecimento da democracia. Neste perfil da seção Personagens, Relatos apresenta a trajetória e o pensamento de um dos intelectuais que melhor compreenderam as fragilidades do século XXI – e cujas reflexões se mostram hoje mais atuais do que nunca.
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Em 1869, Dostoiévski criou um personagem incapaz de odiar. O príncipe Míchkin, protagonista de O Idiota, tornou-se um dos maiores símbolos da bondade na literatura universal. Mais de 150 anos depois, sua história continua lançando uma pergunta inquietante sobre nosso tempo: o problema está no homem que preserva a compaixão ou na sociedade que passou a tratar a empatia como fraqueza? Entre Dostoiévski, Hannah Arendt, Edgar Morin e Tony Judt, este ensaio reflete sobre a banalização do sofrimento, a erosão da solidariedade e a crise moral de uma civilização que parece ter desaprendido a reconhecer suas próprias virtudes.
