No Bar do Toninho, conhecido como Ramal 51, uma conversa de sexta-feira reúne certezas sobre trabalho, religião, comunismo e programas sociais. Entre cervejas e mensagens de celular, dificuldades reais encontram culpados prontos. O texto confronta essas falas com dados e mostra como a desinformação ganha a confiança dos amigos, transforma perguntas em ofensas e ocupa lugares antes reservados ao encontro. Uma crônica sobre o país que paga a conta quando a mentira pede outra rodada.
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O Brasil não está dividido apenas por ideias. Está dividido por certezas morais. A partir de A Mente Moralista, de Jonathan Haidt, este artigo investiga por que somos tão rigorosos com os adversários e tão indulgentes com os nossos. Entre o cavaleiro e o elefante, a lupa e o espelho, surge uma pergunta incômoda: usamos a mesma régua moral para julgar quem está do nosso lado?
Houve um tempo em que petistas, tucanos, conservadores e socialdemocratas discutiam política à mesa e, terminada a discussão, ainda tomavam café juntos. O país nunca foi livre de conflitos, mas o adversário não era necessariamente tratado como inimigo. A polarização afetiva, impulsionada pelas redes sociais e explorada pela extrema direita, atravessou a porta das casas, rompeu amizades e dividiu famílias. Esta crônica procura entender o que perdemos pelo caminho – e se ainda podemos reconstruir a mesa da convivência democrática.
Edgar Morin atravessou dois séculos e antecipou muitos dos dilemas do nosso tempo. Judeu sefardita, resistente ao nazismo, sociólogo e filósofo, refletiu sobre polarização, intolerância, fake news, crise da democracia e o colapso da capacidade humana de compreender. Neste artigo, Relatos – A Estação da História mergulha no pensamento de um dos grandes intérpretes da condição humana para entender por que, em um mundo hiperconectado, parecemos cada vez mais incapazes de dialogar, pensar com complexidade e conviver com diferenças.
A ascensão da China, o fortalecimento dos BRICS e a crise da hegemonia americana estão redesenhando a ordem mundial. Nesse cenário, o Brasil pode se afirmar como potência média relevante – ou desperdiçar sua oportunidade histórica mergulhado em radicalizações internas. Este ensaio analisa como a polarização política ameaça reduzir a capacidade estratégica do país justamente quando o multilateralismo e a diplomacia pragmática se tornam mais importantes do que nunca.
