Democracia, soberania, pluralismo e justiça social: as convicções que levarei à urna no domingo, 25 de outubro de 2026.

DJALBA LIMA
Jornalista e editor de Relatos
55(61)999379799
Sou Djalba Lima, cidadão brasileiro de 69 anos. Vivi o suficiente para saber quanto custaram as liberdades que hoje tantos desprezam. Amargura-me ver o país ameaçado por retrocessos que esperávamos ter deixado para trás. Ainda assim, guardo a esperança de que sejamos capazes de construir um Brasil mais justo, livre e solidário. É com essa esperança, marcada pela experiência e sustentada pela teimosia de quem não desistiu, que levarei meu voto à urna.
Meu voto é só um, mas carrega convicções das quais não abro mão. Quando escolho um nome na urna, penso no país que essa escolha ajuda a construir e nas consequências que permanecerão depois que a campanha terminar.
Meu voto defende a democracia, tão necessária e tão vilipendiada. Defende o direito de escolher, de discordar, de fiscalizar quem governa e de substituir governantes pelo voto. Exige de qualquer candidato um compromisso elementar: respeitar as regras também quando perde. A liberdade de um país não pode depender da conveniência de quem pretende comandá-lo.
Meu voto é intransigente na defesa da soberania brasileira. Quero um Brasil capaz de decidir seus caminhos, proteger suas riquezas e se relacionar com outros países de cabeça erguida. Os interesses nacionais estão acima das devoções pessoais de qualquer governante. Quem pretende presidir o Brasil precisa responder ao povo brasileiro.
Essa soberania se fortalece num mundo plural, multipolar e tolerante, em que os países possam cooperar sem se submeter e em que os povos tenham sua dignidade respeitada. Quero um Brasil aberto ao diálogo, comprometido com a paz e capaz de conviver com diferenças. A mesma convicção vale dentro de nossas fronteiras: ninguém deve precisar pedir licença para existir, professar sua fé ou viver sem religião.
Meu voto também combate a desigualdade social. Há algo profundamente errado num país em que o lugar onde uma criança nasce pesa tanto sobre o futuro que ela poderá ter. Quero uma sociedade em que o talento encontre oportunidade; o trabalho permita uma vida digna; e adoecer não signifique desamparo.
É aqui que a reflexão de Tony Judt encontra minhas convicções: uma democracia precisa de vínculos de solidariedade e responsabilidade coletiva. Saúde, educação e proteção social dão conteúdo à cidadania. Quando milhões de pessoas se sentem abandonadas, a promessa democrática perde credibilidade e o ressentimento oferece passagem aos vendedores de soluções autoritárias.
Por isso, defender a democracia exige também enfrentar as condições que a enfraquecem. Quero um país cuja prosperidade possa ser reconhecida na vida de sua população: na comida à mesa, na escola que abre caminhos, no atendimento de saúde, na segurança de envelhecer com dignidade. O crescimento precisa alcançar quem trabalha, quem cuida, quem procura uma oportunidade e quem já dedicou uma vida inteira ao país.
Nenhum candidato receberá de mim um cheque em branco. Meu apoio continuará sujeito à cobrança, à crítica e aos princípios que orientaram minha escolha. A lealdade que devo a esses princípios é maior que qualquer compromisso com um nome ou uma sigla.
Meu voto é só um. Mas, por trás dele, há um país inteiro que me recuso a abandonar.

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