Perder uma eleição também é um teste de caráter. Em 1955, a resistência à vitória de Juscelino Kubitschek levou o Brasil à beira de uma ruptura. Décadas depois, Jair Bolsonaro, Donald Trump e Flávio Bolsonaro mostraram os perigos da recusa do resultado eleitoral. Outros líderes souberam reconhecer a vitória dos adversários e preservar as regras da disputa. Entre conspirações e gestos de civilidade, uma crônica sobre a elegância de perder – e o compromisso democrático que ela revela.
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Uma estratégia religiosa que pretende conquistar as principais instituições da sociedade encontrou aliados no trumpismo e em setores do bolsonarismo. Conheça a teologia do domínio, a influência das Sete Montanhas e os riscos de transformar a fé em instrumento de poder político. Onde termina a liberdade religiosa e começa a ameaça à democracia?
Houve um tempo em que petistas, tucanos, conservadores e socialdemocratas discutiam política à mesa e, terminada a discussão, ainda tomavam café juntos. O país nunca foi livre de conflitos, mas o adversário não era necessariamente tratado como inimigo. A polarização afetiva, impulsionada pelas redes sociais e explorada pela extrema direita, atravessou a porta das casas, rompeu amizades e dividiu famílias. Esta crônica procura entender o que perdemos pelo caminho – e se ainda podemos reconstruir a mesa da convivência democrática.
O sigilo deveria proteger as investigações. No caso Banco Master, porém, combinado com vazamentos seletivos, passou a alimentar suspeitas, versões interessadas e desinformação eleitoral. Quando somente alguns conhecem os autos e a sociedade recebe fragmentos escolhidos, o segredo deixa de servir à Justiça e se transforma em instrumento de poder. Antes de votar, o cidadão tem o direito de conhecer os fatos, seu contexto e a defesa dos envolvidos.
Mais prisões, superpresídios e licença para matar entram na campanha presidencial. Mas a verdadeira segurança…
Enquanto o mundo celebrava o triunfo do mercado e o fim das grandes disputas ideológicas, o historiador britânico Tony Judt enxergava sinais de uma crise silenciosa: o avanço da desigualdade, a erosão da solidariedade e o enfraquecimento da democracia. Neste perfil da seção Personagens, Relatos apresenta a trajetória e o pensamento de um dos intelectuais que melhor compreenderam as fragilidades do século XXI – e cujas reflexões se mostram hoje mais atuais do que nunca.
Sessenta anos atrás, Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e João Goulart – antigos adversários separados por profundas diferenças políticas – uniram-se na Frente Ampla para enfrentar a ditadura militar. O movimento revelou a primeira grande fissura entre o regime e parte da elite civil que apoiara o golpe de 1964. Era também o reconhecimento tardio de uma ilusão histórica: acreditaram que poderiam usar o autoritarismo como solução provisória, mas descobriram que já não tinham as chaves para fechar as portas que haviam ajudado a abrir.
