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setembro 12, 2026 / CRÕNICAS HISTÓRICAS

Houve um tempo em que petistas, tucanos, conservadores e socialdemocratas discutiam política à mesa e, terminada a discussão, ainda tomavam café juntos. O país nunca foi livre de conflitos, mas o adversário não era necessariamente tratado como inimigo. A polarização afetiva, impulsionada pelas redes sociais e explorada pela extrema direita, atravessou a porta das casas, rompeu amizades e dividiu famílias. Esta crônica procura entender o que perdemos pelo caminho – e se ainda podemos reconstruir a mesa da convivência democrática.

setembro 10, 2026 / TENDÊNCIAS

O sigilo deveria proteger as investigações. No caso Banco Master, porém, combinado com vazamentos seletivos, passou a alimentar suspeitas, versões interessadas e desinformação eleitoral. Quando somente alguns conhecem os autos e a sociedade recebe fragmentos escolhidos, o segredo deixa de servir à Justiça e se transforma em instrumento de poder. Antes de votar, o cidadão tem o direito de conhecer os fatos, seu contexto e a defesa dos envolvidos.

agosto 30, 2026 / OPINIÃO
agosto 2, 2026 / PERSONAGENS

Enquanto o mundo celebrava o triunfo do mercado e o fim das grandes disputas ideológicas, o historiador britânico Tony Judt enxergava sinais de uma crise silenciosa: o avanço da desigualdade, a erosão da solidariedade e o enfraquecimento da democracia. Neste perfil da seção Personagens, Relatos apresenta a trajetória e o pensamento de um dos intelectuais que melhor compreenderam as fragilidades do século XXI – e cujas reflexões se mostram hoje mais atuais do que nunca.

julho 17, 2026 / DESMISTICANDO

Sessenta anos atrás, Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e João Goulart – antigos adversários separados por profundas diferenças políticas – uniram-se na Frente Ampla para enfrentar a ditadura militar. O movimento revelou a primeira grande fissura entre o regime e parte da elite civil que apoiara o golpe de 1964. Era também o reconhecimento tardio de uma ilusão histórica: acreditaram que poderiam usar o autoritarismo como solução provisória, mas descobriram que já não tinham as chaves para fechar as portas que haviam ajudado a abrir.

junho 29, 2026 / TENDÊNCIAS

Depois de mais de uma década de crises políticas, econômicas e institucionais, o eleitor brasileiro parece estar mudando. Em vez de depositar suas esperanças em líderes salvadores, passa a valorizar estabilidade, previsibilidade e segurança para construir o próprio futuro. A partir de dados do Datafolha e das reflexões de Ronald Inglehart, Zygmunt Bauman e Daniel Kahneman, este artigo analisa como a redução das incertezas pode ter se tornado a principal expectativa do Brasil às vésperas das eleições de 2026.

junho 23, 2026 / OPINIÃO

O que uma política pública adotada para atender dependentes químicos em Amsterdã pode ensinar sobre democracia, polarização e geopolítica? Partindo do conceito de redução de danos, este artigo discute a diferença entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade, revisita algumas das grandes conquistas da civilização moderna e propõe uma reflexão sobre o Brasil diante de um mundo cada vez mais complexo e multipolar. Um ensaio sobre prudência, instituições e necessidade de preservar o futuro em tempos de radicalização.

junho 2, 2026 / PERSONAGENS

Edgar Morin atravessou dois séculos e antecipou muitos dos dilemas do nosso tempo. Judeu sefardita, resistente ao nazismo, sociólogo e filósofo, refletiu sobre polarização, intolerância, fake news, crise da democracia e o colapso da capacidade humana de compreender. Neste artigo, Relatos – A Estação da História mergulha no pensamento de um dos grandes intérpretes da condição humana para entender por que, em um mundo hiperconectado, parecemos cada vez mais incapazes de dialogar, pensar com complexidade e conviver com diferenças.

maio 20, 2026 / OPINIÃO

A ascensão da China, o fortalecimento dos BRICS e a crise da hegemonia americana estão redesenhando a ordem mundial. Nesse cenário, o Brasil pode se afirmar como potência média relevante – ou desperdiçar sua oportunidade histórica mergulhado em radicalizações internas. Este ensaio analisa como a polarização política ameaça reduzir a capacidade estratégica do país justamente quando o multilateralismo e a diplomacia pragmática se tornam mais importantes do que nunca.

janeiro 2, 2026 / OPINIÃO

A democracia é frequentemente acusada de falhar. Mas o que ela realmente promete – e o que nunca prometeu? Este ensaio investiga por que instituições são confundidas com seus ocupantes e como falhas reais são exploradas por projetos autoritários. Da República de Weimar à política contemporânea, o texto mostra como desigualdade, mentira e desalento corroem regimes democráticos. Em 2026, a defesa da democracia exige memória, vigilância e responsabilidade cívica. Porque quando ela cai, o que vem depois não é eficiência – é violência.