Sessenta anos atrás, Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e João Goulart – antigos adversários separados por profundas diferenças políticas – uniram-se na Frente Ampla para enfrentar a ditadura militar. O movimento revelou a primeira grande fissura entre o regime e parte da elite civil que apoiara o golpe de 1964. Era também o reconhecimento tardio de uma ilusão histórica: acreditaram que poderiam usar o autoritarismo como solução provisória, mas descobriram que já não tinham as chaves para fechar as portas que haviam ajudado a abrir.
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Depois de mais de uma década de crises políticas, econômicas e institucionais, o eleitor brasileiro parece estar mudando. Em vez de depositar suas esperanças em líderes salvadores, passa a valorizar estabilidade, previsibilidade e segurança para construir o próprio futuro. A partir de dados do Datafolha e das reflexões de Ronald Inglehart, Zygmunt Bauman e Daniel Kahneman, este artigo analisa como a redução das incertezas pode ter se tornado a principal expectativa do Brasil às vésperas das eleições de 2026.
O que uma política pública adotada para atender dependentes químicos em Amsterdã pode ensinar sobre democracia, polarização e geopolítica? Partindo do conceito de redução de danos, este artigo discute a diferença entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade, revisita algumas das grandes conquistas da civilização moderna e propõe uma reflexão sobre o Brasil diante de um mundo cada vez mais complexo e multipolar. Um ensaio sobre prudência, instituições e necessidade de preservar o futuro em tempos de radicalização.
Edgar Morin atravessou dois séculos e antecipou muitos dos dilemas do nosso tempo. Judeu sefardita, resistente ao nazismo, sociólogo e filósofo, refletiu sobre polarização, intolerância, fake news, crise da democracia e o colapso da capacidade humana de compreender. Neste artigo, Relatos – A Estação da História mergulha no pensamento de um dos grandes intérpretes da condição humana para entender por que, em um mundo hiperconectado, parecemos cada vez mais incapazes de dialogar, pensar com complexidade e conviver com diferenças.
A ascensão da China, o fortalecimento dos BRICS e a crise da hegemonia americana estão redesenhando a ordem mundial. Nesse cenário, o Brasil pode se afirmar como potência média relevante – ou desperdiçar sua oportunidade histórica mergulhado em radicalizações internas. Este ensaio analisa como a polarização política ameaça reduzir a capacidade estratégica do país justamente quando o multilateralismo e a diplomacia pragmática se tornam mais importantes do que nunca.
A política brasileira – e parte da política mundial – vive um sequestro silencioso. Extremistas, milícias e bilionários ocuparam o espaço deixado por partidos fracos. Nos EUA, o colapso dos filtros permitiu a ascensão de Trump. No Brasil, abriu caminho para Bolsonaro e para o crime organizado no Rio de Janeiro. Quando os guardiões abandonam o portão, a democracia entra em deriva. Eleições continuam existindo, mas perdem o sentido democrático. Este texto mostra como o sequestro ocorreu – e por que ainda pode piorar.
